O Brasil está preso na armadilha da renda média. E agora?

Porque a economia não cresce

elefante

A economia brasileira não cresce e a vida dos brasileiros não melhora porque estamos presos na “armadilha da renda média”.

Armadilha da renda média, o que é isso? Vamos conversar sobre esse conceito e você mesmo identificará nas notícias da imprensa os sinais que demonstram esse bloqueio para nosso desenvolvimento. Observando bem a figura, você vai entender bem o que é essa armadilha.

Continue comigo.

Primeiramente, vamos classificar o Brasil como um país de renda média, segundo dados do Banco Mundial. Veja a tabela abaixo que mostra as classificações. Veja a tabela abaixo que mostra as classificações.

 tabela renda

 Um estudo do Banco Mundial mostrou que somente 12 dentre 101 nações consideradas de renda média entraram no clube dos países de renda alta, desde 1960.Naquela época, 1960, Brasil, México, África do Sul e Malásia eram considerados países de renda média elevada com grandes possibilidades de atingir a renda elevada.

Veja no gráfico abaixo que o único, desses quatro, que nesse período ingressou no clube dos países de renda elevada foi a Malásia. Os países estão classificados como uma porcentagem do PIB per capita americano.

 curvas pib

Observe que em 1980 o PIB per capita do Brasil era de aproximadamente 38% do PIB americano e em 2016 era de 25%. Ou seja, em relação aos EUA ficamos mais pobres. A situação ainda é um pouco pior porque em 2017 e 2018 nosso PIB per capita diminuiu.

Para ficarmos um pouquinho mais tristes, observe a China. De um PIB de 3% do americano em 1980 (ou seja, menos de 10% do brasileiro), apresenta hoje um PIB igual ao brasileiro.Para ilustrar bem nossa prisão na armadilha da renda média, observe o gráfico abaixo que mostra a evolução do PIB brasileiro de 1940 até 2018.

crescimento pib 

No gráfico acima, podemos ver que o período de crescimento mais rápido de 1965 a 1980 - “milagre econômico brasileiro” – foi exatamente caracterizado por fortes incentivos à substituição de importações. Essa política de imitação de tecnologia e substituição de importações é um dos fatores criadores da armadilha da renda média. Cria uma mentalidade na sociedade que impede o país de criar estratégias para mudar a lógica de crescimento.

Por que as estatais foram criadas?

Um dos grandes impulsores do milagre econômico brasileiro foi a criação de empresas estatais que começou durante a 2ª. Guerra Mundial com a CSN e Vale do Rio Doce. Após o fim da guerra, a aproximação com os EUA que tinham interesse em bloquear a entrada do comunismo nas Américas e a disponibilidade de financiamentos internacionais foram determinantes para a criação de muitas empresas estatais, principalmente nos setores onde a iniciativa privada era muito incipiente: infraestrutura, energia e telecomunicações.

Na época funcionou muito bem, mas com um efeito colateral do agigantamento do setor público e criação de uma cultura nacional de estatismo, que funcionam como uma barreira para as inovações quando o país alcança a faixa da renda média.

Esse agigantamento do setor público e o forte protecionismo resultante levaram o Brasil a experimentar fases de crescimento artificial seguidas de recessões e altas taxas de inflação. As tentativas posteriores de redução do estado na economia, com privatizações, sempre enfrentam resistências políticas e populares fortes, por causa da cultura estatista consolidada.

 E a “Constituição Cidadã” de 1988?

Uma das consequências mais perversas dessa cultura estatista surgiu na Constituinte de 1988 quando grandes grupos corporativistas, por meio de fortes “lobbies”, conseguiram garantir seus privilégios. Para você identificar isso, acompanhe as notícias da reforma da previdência e veja as pressões exercidas para manutenção de “status quo”.

Vamos ver agora por que esses elementos dificultam o crescimento econômico da nação. Para isso, vamos analisar outra vez o modelo de desenvolvimento das nações que apresentei na conversa anterior.

 social inclusiva Os países apresentam diferenças quanto ao êxito econômico em virtude das instituições existentes, das regras que regem o funcionamento da economia e dos incentivos que motivam a população. Todos esses fatores, obviamente, são criados pela própria sociedade. Observe que a base do modelo de desenvolvimento acima é o país apresentar uma “organização social inclusiva”.

O contrário de uma organização inclusiva é a “organização social extrativista”, porque grupos políticos fortes extraem a maior parte da renda nacional para seu próprio benefício.

De certo ponto de vista podemos dizer que o Brasil é uma sociedade inclusiva, porque os brasileiros têm liberdade para desenvolver suas habilidades, trabalhar onde quiserem, abrir e fechar empresas, apesar das dificuldades e gozam de liberdade de imprensa.

No entanto, a Constituição de 1988 garantiu uma série de benefícios a determinados grupos de cidadãos que os colocam razoavelmente protegidos das turbulências da economia que afetam a maioria da população, como desemprego, salários baixos, dificuldades de aposentadoria, e outros. Isso atende pelo nome de “direitos adquiridos”.  Como demonstração dessa mentalidade, recentemente uma pessoa de um desses grupos definiu seus benefícios como “miserê”.

Como resultado, uma parte muito grande dos impostos que o governo retira da sociedade é transferida para esses grupos, sobrando pouco dinheiro para o investimento em bens públicos que podem beneficiar toda a população: educação, saúde, saneamento, infraestrutura etc.

As pedras no caminho do desenvolvimento

Como a carga tributária já é excessivamente pesada, o governo é obrigado a se endividar.  Ao contrário de outros países que se endividam para realizarem investimentos, que produzirão riquezas, o governo brasileiro se endivida para pagar gastos correntes.

Isso provoca na sociedade outra consequência maléfica para o desenvolvimento: transforma os possíveis investidores em rentistas. É mais confortável e seguro aplicar em títulos do Tesouro Nacional do que fazer investimentos que possam gerar empregos. 

Assim, concluímos que a minoria da população brasileira – em torno de 2% da população - se apropria de aproximadamente 70% da renda de impostos. Ou seja, o Brasil é uma sociedade extremamente extrativista.

 Só para lembrar as consequências deste extrativismo, vou resumir na figura abaixo o exemplo da cidade de Nogales, com metade no estado de Arizona – USA e metade no estado de Sonora – México. São iguais, considerando todas as condições naturais: clima, solo, topografia e boa parte da ancestralidade.

As diferenças que você vai ver na figura são resultados das leis e relações sociais e econômicas. Observando bem, vai compreender a razão do muro divisório entre as duas Nogales.Acho que a figura é autoexplicativa.

nogales

Infelizmente a cultura do estatismo e dos direitos adquiridos é muito disseminada e aceita pela sociedade brasileira. Como mudar isso e criar condições para sairmos da armadilha da renda média? Deixo a resposta para você.

Até nosso próximo encontro.


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